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Carta a um amigo desesperado
Não pensas tu que eu irei te consolar. O consolo è sintoma de fraqueza e o desconsolo é sintoma do desesperado. Tenho poder de uma bomba para te fortalecer com a sua destruicao, porque uma força na energia destrutiva è capaz de edificar sua habilidade. Tenho poder em autodiferenciar. Desesperar è temer, fingir, dissimular. A esperança è o maior engano do desconsolado. Quem espera não age, ele fica como sarna ou varejeira na ferida. Silenciar è potencializar a própria instintividade e “disciplina” na vontade de querer a possibilidade do movimento do corpo. A vida como vontade para forca è uma dinamite para o costume, para os negadores da vida. O medroso, o vingativo e o rancoroso devem ser desprezados, porque eu desprezo o vosso desprezo. A família è uma decadência gerativa, portanto uma doença, uma degeneracao com a instauração do dever, do castigo e da ordem. O querer a fraqueza, a humildade, a nadificacao, a passividade, a preguiça tenho nojo. Quanta fraqueza! Quanto medo e rancor! Fumeiros do “logos”, amantes da aparência, merdas que querem a “essência universal”.
Olá meu amigo, o que è paixão e destino? Onde está você agora? Eu estou em mim mesmo, grande corrente de ar circula e rodeia-me. Eu sou um labirinto e o minotauro está na esquina. Eu quero a vida como existência trágica com produção e consumação do destino, porque ele è o meu próprio alimento no querer força no que é força com atuação de mais força. Querer a vida como potência è a força em Dionísio com o seu canto da meia noite e a dança ao meio dia, atividade na embriagues. O trincar a vida. A solidão è uma festa, o silencio um brinde a existencia.
Afirmação da vida è com vontade de querer toda destruição no aniquilar-se. A espontaneidade do instinto é força pugente. Viva a vida na vontade de querer a vida! Viva a beleza do corpo! A forca em Dionísio è a forca no impulsivo, no movimento do autoapresentar o singular. Querer o círculo do eterno retorno è vitalizar esse bem, essa capacidade do ativo, do esperto e do produtivo na sua autoconsumação. A vida como vontade de poder è vontade de querer, fortalecimento e vigor.
Desesperas? Por que ainda desesperas? Quebra-te. Queira o desespero como potência e não como prudência. Seja você mesmo, sem ser humano, mas desumano para além do humano, do comum. Cria-te para ti mesmo, destrua-te para ti mesmo, produza para ti mesmo, consome teu próprio desejo em querer a vida como fatalidade na força e no poder do ocaso, do querer o outro lado como atividade. Porque Dionísio pirueta no abismo e dança na própria corda no fio das moiras. Dionísio como deus da beleza trágica. 27.05.04
Recomendação saudável
Abster-se da moral
Criar seu próprio valor
Estimular a vontade de querer a forca
Silenciar com o grito do próprio destino
Querer a vida como potência
Movimentar o desejo de vitalidade
Estimular a função orgânica do corpo
Fortalecer o vigor do sadio
Ter a impulsão do instinto
Querer a vida como pulsão de destruição
Produzir e consumir, criar e destruir
Querer Dionísio, o êxtase, a fantasia, o imaginário, o inconsciente.
Estimular a força do destino potente.
O alegre contente com si mesmo è o homem sem culpa, sem moral.
A vida saudável do espontâneo e do oponente.
E quais são os remédios da fraqueza?
O querer o debilitado.
O desejar a fraqueza.
O necessitar do chicote, do castigo.
O cristão culpado com remorso.
A fraqueza do cristianismo é a vida do decadente no repouso. O objetivo da rebanhada no dever e na obrigação è apelacao. A doença da “razão” em querer a “verdade”, o “lógico”, “o divino”, o “espírito”. À vontade de querer o motivo no efeito e na causa. A péssima “consciência” é a moralização do porque e do por quê, do bem e do mal. A fraqueza do sentimento de culpa.
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